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Tortura, áudios e prisão: entenda a cronologia do caso da doméstica agredida pela patroa no MA

Patroa suspeita de agredir doméstica grávida é investigada por cinco crimes no MA A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, foi presa sus...

Tortura, áudios e prisão: entenda a cronologia do caso da doméstica agredida pela patroa no MA
Tortura, áudios e prisão: entenda a cronologia do caso da doméstica agredida pela patroa no MA (Foto: Reprodução)

Patroa suspeita de agredir doméstica grávida é investigada por cinco crimes no MA A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, de 36 anos, foi presa suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida de 19 anos, no Maranhão. O caso, ocorrido em 17 de abril, ganhou repercussão nacional nesta semana após a divulgação de áudios em que Carolina supostamente confessa as agressões. Segundo a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), o crime foi motivado pelo desaparecimento de um anel avaliado em R$ 5 mil. A doméstica, grávida de cinco meses na ocasião, foi agredida pela empresária e pelo policial militar Michael Bruno Lopes dentro da residência, enquanto procuravam a joia, que depois foi encontrada em um cesto de roupas sujas. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Saiba quem é a patroa presa por agredir empregada grávida no Maranhão Após dias de investigação, Carolina Sthela foi presa na quinta-feira (7), em Teresina (PI), durante uma tentativa de fuga com a família, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí. Ela é investigada por cinco crimes, entre eles tentativa de homicídio triplamente qualificado e cárcere privado. O PM Michael Bruno também se apresentou à polícia e confirmou que participou das agressões. O policial está custodiado na sede da Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Maranhão. Ao g1, o Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) ressaltou que o processo tramita sob segredo de justiça. Veja a cronologia do caso: Início de abril - Doméstica grávida aceita trabalho 17 de abril - Doméstica é agredida após acusação de furto 18 de abril - Vítima e empresária registram boletins de ocorrência 5 de maio - Áudios expõem as agressões 6 de maio - OAB pede prisão e investigação revela processos anteriores 7 de maio - Doméstica relata rotina de trabalho; empresária é presa e PM se entrega 7 de maio - Empresária chega a São Luís e presta depoimento 8 de maio - Perícia confirma autoria de áudios e Justiça mantém prisão Início de abril - Doméstica grávida aceita trabalho Uma jovem de 19 anos, grávida de cinco meses, é contratada no início do mês de abril para trabalhar por um mês, como empregada doméstica na casa da empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, em Paço do Lumiar, no Maranhão. Sem combinar o valor com a patroa, a jovem aceita o emprego para conseguir juntar dinheiro para montar o enxoval do bebê. 17 de abril - Doméstica é agredida após acusação de furto Em 17 de abril, por volta das 7h30, Carolina Sthela avisa a jovem que receberia um amigo na residência. O homem, identificado posteriormente como o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, chega à casa armado. A empresária acusa a jovem de furtar um anel avaliado em R$ 5 mil. Em áudios obtidos com exclusividade pela TV Mirante, Carolina Sthela conta em um grupo de aplicativo de mensagens que a vítima foi submetida a mais de uma hora de agressões. O PM teria colocado a arma na boca da jovem e puxado seu cabelo para forçá-la a confessar. Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é suspeita de agredir doméstica grávida no MA Reprodução Enquanto procurava a joia, a jovem relatou que sofreu puxões de cabelo, socos, murros e ainda foi derrubada no chão. Em entrevista à TV Mirante, a jovem contou ainda que tentou proteger a barriga dos golpes. Após mais de uma hora de buscas, o anel foi localizado dentro de um cesto de roupas sujas na própria residência. Mesmo com a joia encontrada, a jovem relatou à Polícia Civil, em depoimento, que continuou sendo agredida e ameaçada pela empresária. Uma viatura da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) foi ao local onde as agressões aconteceram, mas em um dos áudios, Carolina Sthela diz que não foi detida porque um dos policiais que atendeu a ocorrência era seu ‘amigo'. “Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”, afirmou Carolina. 18 de abril - Vítima e empresária registram boletins de ocorrência Agressão contra doméstica grávida revolta e é investigada Em 18 de abril, um dia após as agressões, a jovem registrou um boletim de ocorrência e realizou exames de corpo de delito. Nas fotos, são visíveis as marcas pelo corpo da mulher, e a que está na testa, segundo ela, é resultado de uma coronhada. Carolina Sthela também registrou um boletim de ocorrência. Segundo a Polícia Civil, ela relatou que sentiu falta das joias que usava no dia a dia, procurou pela casa e não as encontrou. Disse que pediu para ver a bolsa da empregada e que as joias estavam lá, então chamou a polícia, mas a empregada saiu correndo pelo condomínio. 5 de maio - Áudios expõem as agressões Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica no MA Em 5 de maio, a TV Mirante divulga, com exclusividade, áudios atribuídos à empresária Carolina Sthela, em que ela narra com detalhes as agressões praticadas contra a empregada doméstica. Em um dos áudios, Carolina confessa as agressões e afirma que a funcionária “não era para ter saído viva”. “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina Sthela. No relato, a suspeita conta o momento em que chama a empregada para conversar após a chegada do homem, a quem atribui participação na abordagem sobre o desaparecimento do anel. "Aí eu (falei): Faz favor, vem cá. Ontem sumiu meu anel, você sabe, né? Aqui não entrou ninguém de fora, só a gente, a única pessoa estranha é você. E meu anel não tem perna e nem asa pra andar voando. Então eu quero que você vá pegar meu anel de onde você botou, pra gente não ter problema’”, relatou a mulher nos áudios. No mesmo dia, a Polícia Civil iniciou as investigações do caso. Procurada, Carolina disse que as alegações são “uma distorção do que realmente aconteceu” e que todas as medidas jurídicas cabíveis já foram tomadas para esclarecer os fatos. 6 de maio - OAB pede prisão e investigação revela processos anteriores Em 6 de maio, um dia após o crime ganhar repercussão nacional, a Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA) pede a prisão preventiva de Carolina Sthela, classificando o crime como tortura agravada. O Comando-Geral da Polícia Militar abre um procedimento administrativo contra os quatro policiais que atenderam a ocorrência no dia em que a doméstica foi agredida e que não efetuaram a prisão de Carolina. Neste mesmo dia, a Polícia Civil do Maranhão tentou intimar a empresária na sua casa, mas ela não foi encontrada. No local, havia apenas uma funcionária que foi contratada às pressas, segundo as investigações. Aos poucos, detalhes da vida da empresária Carolina Sthela passam a ser conehcidos. Segundo a Polícia Civil do Maranhão, ela possui cerca de dez processos contra si. Em um deles, de 2024, Carolina foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá do filho dela de roubar uma pulseira de ouro. O processo tramitou no Juizado Civil e Criminal de Santa Inês, e a sentença foi proferida em outubro do ano passado. Nos áudios, Carolina Sthela Ferreira dos Anjos descreve as agressões contra a empregada doméstica. Reprodução/TV Mirante Em outra denúncia, a empresária foi condenada em 2023 por furto qualificado contra a própria irmã. A condenação foi em conjunto com o marido dela, Yuri Silva do Nascimento. Segundo a decisão judicial, à qual o g1 teve acesso, o casal desviou mais de R$ 20 mil de uma escola de natação em São Luís. O estabelecimento pertence a uma irmã de Carolina Sthela. 7 de maio - Doméstica relata rotina de trabalho; empresária é presa e PM se entrega O g1 teve acesso ao depoimento da empregada doméstica grávida, que detalhou como era a rotina na casa da ex-patroa. Ela contou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de serviços realizados e, segundo a vítima, ela acumulava funções e cumpria uma jornada diária de quase 10 horas de trabalho. Entre as atividades que deveriam ser feitas pela jovem, estavam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da ex-patroa. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros. Ao chegar ao local, a jovem afirmou que começou a trabalhar sem ter acertado previamente o valor do serviço. Segundo o relato, a jornada era de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo. Patroa que agrediu empregada doméstica grávida no MA é presa no PI Em 7 de maio, a Justiça do Maranhão decreta a prisão preventiva de Carolina Sthela e do policial militar Michael Bruno, suspeitos de praticar as agressões contra a empregada doméstica grávida. Horas após a decretação da prisão, Carolina foi presa em um posto de combustíveis, em Teresina (PI). Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), ela estava hospedada na casa de um parente que reside na cidade. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), a empresária contou que havia ido a Teresina para deixar o filho na casa de parentes. Entretanto, como ela foi presa abastecendo o carro e com o marido e o filho dentro dele, a polícia afirma que ela estava se preparando para fugir. A advogada de defesa afirmou que Carolina não tinha interesse em se omitir e que vai cumprir as determinações judiciais, além de responder pelo que for comprovado dentro do devido processo legal, nas esferas cível e criminal. Michael Bruno Lopes Santos, suspeito de participar das agressões contra uma doméstica a mando de empresária Reprodução/Redes Sociais No mesmo dia, o policial Michael Bruno Lopes Santos se entregou à polícia em São Luís, após ter a prisão preventiva decretada pela Justiça do Maranhão. Ele prestou depoimento em que apontou uma série de contradições. Em depoimento à Corregedoria-Geral da PM, ele negou a participação nos crimes contra a doméstica e disse que conhecia a empresária há seis anos. Entretanto, admitiu que esteve na casa de Carolina no dia do crime, a pedido do marido dela. Já para a Polícia Civil, ele confessou que participou das agressões. 7 de maio - Empresária chega a São Luís e presta depoimento Patroa presa por agredir doméstica grávida chega algemada a São Luís Após ser presa no Piauí, Carolina Sthela é transferida para São Luís. Ela chegou à capital maranhense algemada e a bordo de um helicóptero da Polícia Civil do Maranhão. A empresária foi levada para a 21ª Delegacia de Polícia do Araçagy, onde prestou depoimento por pouco mais de uma hora. Carolina negou ser a dona da voz nos áudios que revelaram o crime e alegou estar grávida de três meses. A Polícia Civil pediu uma perícia oficial nos áudios e a realização de exames de corpo de delito na empresária. As autoridades ainda não confirmaram a gestação. Ainda em depoimento, a empresária afirmou à Polícia Civil que o anel que teria motivado as agressões estava avaliado em R$ 5 mil. 8 de maio - Perícia confirma autoria de áudios e Justiça mantém prisão Em 8 de maio, o Instituto de Criminalística da Polícia Civil confirmou que são da empresária Carolina Sthela os áudios divulgados com supostas confissões de agressões contra a empregada. Em depoimento, ela havia negado que os áudios eram da sua autoria. Já a defesa de Carolina Sthela afirma que ela confessou envolvimento nas agressões. O material será anexado ao inquérito que investiga o caso. Empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos chega a São Luís Reprodução/Juvêncio Martins Ainda em 8 de maio, a Justiça do Maranhão manteve a prisão da empresária Carolina Sthela. Ela passou por audiência de custódia na 2ª Central das Garantias da Comarca da Ilha de São Luís. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), a empresária será encaminhada para uma unidade prisional feminina do Sistema Penitenciário em São Luís, onde vai ficar à disposição da Justiça.

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